* Lugar que vale a pena ver, antes que se tranform...

D.Bertha, a sineira do local, com 93 anos...


O lugar onde o tempo parou

Documentário “Walachai” será exibido hoje na comunidade onde foi filmado, no Vale do Sinos

A 70 quilômetros de Porto Alegre há um lugar onde o tempo passa num ritmo diferente.

As pessoas são guiadas pelo sino da igreja e pela luz do sol, o meio de transporte mais comum é a junta de bois e as conversas se dão num dialeto alemão.

Celular quase não pega, computador é novidade e internet, coisa de outro mundo.
O lugar é Walachai, comunidade pertencente ao município de Morro Reuter, no Vale do Sinos.
Sua rotina virou o documentário homônimo, que tem previsão de ganhar o circuito das salas de cinema em 2010.
Hoje,(dis 12.12) o longa foi exibido ao ar livre, ao lado da Igreja do Walachai, às 20h30min.
Foi a primeira vez que muitos de seus habitantes tiveram contato com uma tecnologia assim.
Em alemão antigo, Walachai (pronuncia-se valarrai) significa “um lugar distante”.
No filme, aparecem também as localidades de Jammerthal, Batataenthal, Frankenthal e Fazenda Padre Eterno.
É nesta última, ao som dos passarinhos, que o dia inicia na região, assim que nasce o sol.
É quando Bertha Strassburger, 93 anos, acorda, atravessa uma rua de chão batido e sobe 17 degraus até a igreja para tocar o sino.
O despertador anuncia que está na hora de todos seguirem para a roça.
Lá não importa se é horário de verão ou inverno.
Nem sequer é preciso relógio. Desde que o templo foi inaugurado, há 58 anos, é dona Bertha quem dá o toque de despertar e recolher.
Em frente à casa da família, em estilo enxaimel como o avô deixou, Guerino Klein, 65 anos, se desculpa pelo português arrastado – até os 25 anos, só havia sido apresentado ao alemão.
Ao mesmo tempo em que mantém viva a tradição familiar, Guerino, curioso, também quer saber mais do mundo lá fora.
Anda fascinado com o que a filha conta sobre as possibilidades da internet.–
Mandei ela estudar para ter alguém para nos guiar – diz o agricultor e pai de cinco filhos.
Um deles é Guilherme, 34 anos.
Ele vive da agricultura, juntamente com a família.
Desde que foi apresentado a um celular, neste ano, não o larga mais.
Com o passar dos anos, esse modo de vida possivelmente se transformará e esta memória tenderá a ser esquecida.
Mas, neste momento, tudo ainda está vivo, com seus personagens transitando pelas estradas, relatando seus feitos e sua estranheza diante dos avanços do mundo.
LETÍCIA BARBIERI Morro Reuter

Um comentário:

  1. Chica,que curioso e belo esse lugar!Mostra que as pessoas podem ser felizes sem a tecnologia,resgatando sempre suas tradições.Adorei conhecer!Bjs,

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